Há um outono em mim (*)

Há um outono na minha janela
que me intimida e me entristece
porque enjaula na mesma cela
meu risco, a loucura e o alicerce

E desatino sem cor na aquarela
onde o pincel desenha uma prece
pedindo que na minha passarela
não mais seja aplaudido o estresse

Reúno as folhas caídas do outono
com isso adubo o meu desinteresse
e cresce a minha dor na novela

Continuo sem patrono e sem dono,
um brinde esquecido na quermesse:
um coração em franco abandono


(*) márcia fernanda peçanha martins

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