Blog da Marcinha

Ao postar emoções, medos, sensações e utopias aqui, através de fotos, pensamentos, crônicas, artigos e poesias, entrego a vocês um pedaço enorme do meu coração, por vezes ferido, outras alerta ou contente. Use com moderação!

15 janeiro, 2017

Colunas

Cuidado, há um Sidnei perto de nós (*) (**)

Cuidado, habita um Sidnei no seu edifício, no apartamento do andar de cima. Cuidado, trabalha um Sidnei na repartição, na seção ao lado da sua e cruza diariamente com as mulheres do local. Cuidado, um Sidnei frequenta as festas de aniversário, mesmo as familiares (ele pode ser um convidado e não necessariamente pertencer ao círculo mais íntimo) e parece até inofensivo. Cuidado, um Sidnei foi visto nas aulas da faculdade de sua filha. Cuidado, existe um Sidnei dentro de muitos lugares conhecidos e destila suas piadas infames, suas impressões nojentas e apresenta, com insistência, suas opiniões machistas e misóginas.
Tipos, como o Sidnei, que matou 12 pessoas da mesma família em uma festa de réveillon, em Campinas (São Paulo), inclusive a sua ex-mulher, Isamara Fillier, 41 anos, existem em todos os cantos do Brasil. São mais comuns do que se poderia imaginar. Não se trata de um personagem fictício endoidecido ou de uma minissérie passada no horário nobre da televisão. Homens, como o Sidnei ainda proliferam. Eles dizem, mesmo que em tom de brincadeira (mas no fundo não é brincadeira), que lugar de mulher é pilotando fogão. Disparam que menina não brinca de luta, não grita e não diz palavrão. Duvidam da inteligência de uma mulher se ela é bonita. É o marido que grita em alto e bom som que quem manda ali é ele.
Portanto, muito cuidado. Há um Sidnei perto de todas nós matando mulheres e propagando o machismo, o preconceito e a discriminação. Em pleno 2017, ainda vivemos sob o medo da violência de gênero. Somamos conquistas importantes, mas continuamos a conviver com uma sociedade marcada pelo machismo e misógina. De um modo geral, as mulheres ainda são culpadas pela violência cometida contra elas. São estupradas e a culpa recai sobre elas porque usaram roupas curtas. São agredidas e culpadas porque provocaram. Se a violência é doméstica, o motivo é porque não escolheram corretamente o marido.
Todo o dia, mulheres são assassinadas por homens e a culpa continua sendo delas. Sinceramente, sonhei várias noites que estes crimes não aconteceriam mais. Hoje, ando sonhando muitas noites com o momento em que os verdadeiros culpados, os estupradores, os espancadores, os assassinos, serão realmente considerados culpados pela maioria esmagadora da população e não somente pelas feministas.
E para quem acreditou, como o assassino Sidnei deixou escrito na carta, que o feminismo foi a sua motivação para cometer o crime, é preciso reforçar que o feminismo não mata. Ele não entra na casa de uma mulher e mata 12 pessoas (nove mulheres). Ele não estupra. Ela não violenta. Ela não assassina. O que mata, estupra, agride, violenta e termina com a vida das mulheres é a misoginia, o preconceito, a discriminação, o machismo e a dificuldade que alguns homens têm de aceitar que as mulheres estão alcançando espaços iguais na sociedade.
O crime cometido pelo Sidnei de Campinas é um feminicídio. Está previsto na legislação desde a entrada em vigor da Lei nº 13.104/2015, que alterou o artigo 121 do Código Penal para prever o feminicídio como circunstância qualificadora do crime de homicídio. Assim, o assassinato de uma mulher cometido por razões da condição de sexo feminino, isto é, quando o crime envolve: “violência doméstica e familiar e/ou menosprezo ou discriminação à condição de mulher”.

(*) márcia fernanda peçanha martins
(**) publicado originalmente no site www.coletiva.net

01 fevereiro, 2015

Ausência



Desculpem-me
Fiquei um tempo sem escrever
Compromissos
Agendas
Trabalhos
Afazeres
A gente vai elencando prioridades
Mas senti falta deste contato
Perdão...

23 outubro, 2012


Solte as emoções

 
Congele em formas quadradas de gelo
as emoções que não mais te acompanham,
seja porque agora não se vive o passado
ou porque o presente cobriu-se de zelo
e o futuro ainda aguarda sua hora assustado.

 E faça de conta que nem mais se importa
com as maledicências sobre as suas atitudes
ou com os pensamentos que seguem escondidos.
Deixe de olhar com ansiedade aquela porta
que se abriu para explorar todos os sentidos.

Permita-se atitudes ousadas e de vanguarda
desnude parte do corpo e exponha sentimentos
nem que seja para justificar os comentários.
Saia do ostracismo. Abandone a retaguarda.
Faça viajar sonhos, anseios e pensamentos.

Márcia Fernanda Peçanha Martins

 

Marcadores:

14 maio, 2012

Mães de todos os filhos e filhos de todas as mães (*)(**)


O poeta Coelho Neto (1864-1934), um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, é autor de mais de 100 livros e 650 contos. Mas, apesar de ter sido consagrado “Príncipe dos Prosadores Brasileiros”, em 1928, é conhecido nacionalmente, até hoje, pelo soneto intitulado “Ser Mãe”. Na referida obra, ele discorre com precisão e palavras rebuscadas sobre o ofício materno e encerra com a frase famosa que toda mãe já deve ter balbuciado um dia: “ser mãe é padecer num paraíso”.

Não lembro a minha idade precisa - suponho que não mais do que 12 - quando li, pela primeira vez, o soneto do Coelho Neto. Minha mãe tinha um álbum de recordações de capa dura marrom e uma colega sua reproduziu nas páginas já amareladas as estrofes sobre ser mãe. Achei o poema bonito. Por não ser ainda, naquela época, uma amante de poesias, fiquei mais encantada com o álbum, que ganhei dos meus pais no aniversário de 13 anos. O tal álbum de recordação era um livro com bom acabamento final e folhas internas pautadas (com linhas) onde os colegas e amigos deveriam escrever algo para ficar de lembrança pelo resto de nossas vidas.

Sempre me considerei uma filha boa. Não dava muitas preocupações para a minha mãe. Nem lhe enchia a cabeça de problemas. Ajudava com as tarefas domésticas. Tomava chá da tarde com ela. Apresentava um desempenho normal nos estudos. Vez em quando lhe confidenciava alguma travessura ou uma pequena paixonite. Acho que fui uma filha normal, sem ter com o que me rebelar. Apesar disso, era comum ouvir de minha mãe, quando resolvia alguma encrenca comigo ou com os irmãos, algo como “ser mãe é desdobrar fibra por fibra o coração... ser mãe é ser um anjo que se libra sobre um berço dormindo...”.

No último mês de 1994, depois de ver nascer a minha filha Gabriela (hoje com seus 17 anos), passei a entender completamente os sentidos daquelas estrofes tão melosas. Desde então, compreendo perfeitamente que ser mãe é andar chorando num sorriso e que ser mãe é ter um mundo e não ter nada. Cada vitória da Gabriela lembra-me uma estrofe. Cada noite mal dormida, na infância pelas doenças febris ou atualmente enquanto a aguardo voltar de alguma festa, lembra-me uma estrofe. Cada pequeno atraso no retorno do colégio e hoje da faculdade lembra-me uma estrofe. Cada briga (como existe esta alternativa na tal da adolescência) e cada carinho de recomeço lembra-me uma estrofe.

Pode o filho engatinhar, ter 11 anos ou já emancipado, que a preocupação materna é sempre a mesma. O discurso parece que sai igual dos lábios de todas as mães - guriazinhas, maduras, de primeira viagem, de outros países. Quando engatinha, o discurso vira um gesto frenético de proteger as quinas, afastar os tapetes, tirar as cadeiras da frente. Mais tarde, as mães insistem para que os filhos peguem um casaquinho porque o tempo “parece que vai virar”. E na hora em que a mãe quer se mostrar totalmente inserida no mundo atual e ser moderninha e propõe para o rebento um “papo aberto” sobre sexo. E os filhos fazem aquela cara de enfadonho? É tudo igual. Só muda mesmo o endereço.

Será a primeira vez que passarei a data comemorativa a estas criaturas inspiradoras de poetas sem a presença física da minha mãe, que faleceu em julho do ano passado. E já me debulho em lágrimas só de ver as propagandas sobre o dia na televisão. E tenho evitado ler no face ou no Orkut as mensagens que me encaminham sobre a data. Sinto-me uma legítima manteiga derretida (e quem não conhece este termo?). Com uma saudade doída da minha mãe, dos seus telefonemas, das suas visitas, das suas cobranças. Da sua vida ao meu lado.

Por isso, hoje a coluna não será somente dedicada às mães. Será também às filhas. Aquelas que ainda não são mães, as que já são e as que serão. Para que compreendam logo as estrofes dos poemas. Para que aproveitam bem todo o tempo com suas mães. Para que não deixem passar nenhum minuto perdido com bobagem e com briga.

E para as mães, deixo uma frase que circula na Internet como sendo de autoria de Elisabeth Stone, tão perturbadora e verdadeira quanto os versos de Coelho Neto. “A decisão de ter um filho é muito séria. É decidir ter, para sempre, o coração fora do corpo”.
(*) márcia fernanda peçanha martins
(**)publicado originalmente no site www.coletiva.net









07 maio, 2012


Chega de inocência

Preciso, com urgência,
atualizar a minha vida.
Rasgar folhas da agenda,
Revirar páginas do passado.
Preciso manter a demência
e exibir a postura atrevida.
Porque atrás de cada fenda
ainda omito o meu pecado.
Basta de toda abstinência
e de personagem de tímida.
Não é mais preciso legenda
para disfarçar meu desacato.
Chega de tanta inocência
ardida e não cicatrizada.
E antes que me arrependa
decreto o fim do jogo pacato


márcia fernanda peçanha martins

09 janeiro, 2012

Uma mentira só (*)


Mente somente desta vez:
diz que sempre me amou,
não pode viver sem mim
e que jamais me esquecerá.
Põe a culpa na embriaguez
e fala que o trago acabou,
não tem mais gole até o fim,
que o romance recomeçará.
Pede perdão pela estupidez
e esquece que me magoou.
Tudo integrava um folhetim
e o capítulo não se repetirá.
Pegue uma dose de timidez:
jura que o ônibus atrasou,
que nem passou no botequim
e a nossa vida continuará.

(*) por Márcia Fernanda Peçanha Martins

Marcadores:

18 outubro, 2011

Lançamentos de livros da Poemas à Flor da Pele

O grupo Poemas à Flor da Pele, que surgiu no mundo virtual no dia 29 de abril de 2006, lança, na 57ª Feira do Livro de Porto Alegre, na Praça da Alfândega, mais duas publicações. Os livros “Antologia Poemas à Flor da Pele”, volume 4, e “Antologia de Contos e Crônicas”, volume 1, produzidos pela Editora Somar, serão lançados no dia 29 de outubro (sábado), às 18h, no Memorial do Rio Grande do Sul, no Centro Histórico de Porto Alegre. Mais de 50 autores participam da antologia de poemas e mais de 20 da antologia de contos e crônicas.

A coordenação das obras está sobre a responsabilidade das escritoras Márcia Fernanda Peçanha Martins e Soninha Porto, dirigentes do grupo Poemas à Flor da Pele, e responsáveis pela Editora Somar, criada em 2010. Itens como formatação, revisão e edição da Antologia Poemas à Flor da Pele, volume 4 e do Contos e Crônicas, volume 1, são cuidadosamente trabalhados pelas escritoras. Nas edições de 2011, os poemas tratam de variados assuntos, e os contos ganham temáticas do cotidiano. Assim, o leitor viaja ao percorrer as mais de 300 páginas da antologia de poemas e mais de 50 páginas de contos e crônicas.



Mais uma vez, poetas de todos os cantos do país reúnem-se, em Porto Alegre, para o lançamento dos livros no cenário literário da Praça de Alfândega. São esperados poetas do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina, entre outros. Segundo a escritora Márcia Fernanda Peçanha Martins, o lançamento na Feira do Livro é muito importante para os poetas, porque ela abre espaços para todos. “É fundamental porque a feira é democrática, já que ali circulam autores consagrados e os novos, buscando a consolidação ou um novo lugar no mercado literário”, afirma.


A sessão de autógrafos terá um informal Sarau Poético, em parceria com o grupo da Associação dos Escritores Independentes, performances artísticas da coreógrafa e bailarina Beth Rodrigues (Maringá/PR) e do ator gaúcho Marcos Bahrone.


O evento de lançamento será realizado pelo grupo Poemas à Flor da Pele, com o apoio da Associação Gaúcha dos Escritores Independentes e pela Câmara do Livro de Porto Alegre.



Serviço:


Lançamento da Antologia Poemas à Flor da Pele, volume 1 e Contos e Crônicas, volume 1

No Memorial do Rio Grande do Sul – Centro Histórico de Porto Alegre (Rua Sete de Setembro, 1020), entrada lateralDia 29 de outubro, às 18h


Informações
Márcia Martins -
marfermartins@hotmail.com

Soninha Porto - heisoninha@gmail.com

Marcadores: