Nem sempre


Nem sempre foi a solidão
que me afastou da felicidade.
Às vezes, fugi por medo,
outras por total incapacidade
de alugar de novo o coração.

Nem sempre foi o passado
que me fixou no mesmo lugar.
Às vezes, foi pela ausência
do desejo simples de recomeçar
tudo com outro namorado.

Talvez tenha sido fraqueza
o que me congelou a reação.
Ou a memória de relacionamentos
impediu qualquer tipo de emoção
com o gosto recente de tristeza.

Agora, perambulo no vazio
de quem que se arrasta aborrecida
Às vezes, nem quero respirar
para não mais prolongar a vida
que desafia a beira do rio.


(*) márcia fernanda peçanha martins

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