Blog da Marcinha

Ao postar emoções, medos, sensações e utopias aqui, através de fotos, pensamentos, crônicas, artigos e poesias, entrego a vocês um pedaço enorme do meu coração, por vezes ferido, outras alerta ou contente. Use com moderação!

27 julho, 2011

Nem sempre (*)



Nem sempre sou festa,
balões coloridos e língua de sogra.
Posso ser a que empesta,
a indigesta, a desonesta.

Não sou sempre paisagem,
arco íris e por do sol no horizonte.
Posso abusar da camuflagem,
fazer montagem e sabotagem.

Nem visto só felicidade,
sorrisos escancarados e abraços.
Às vezes, transo muita maldade,
e me tranco, abafo a liberdade.

Sou aquela que se rebela,
mas que também pode encantar.
Por ser a protagonista da novela,
a que espia na janela, a cinderela.


(*) márcia fernanda peçanha martins

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Luto (*)

Trago-te uma saudade que explode,
é expelida pelo corpo e pela mente,
como um pano sujo que se sacode
mas permanece o pó diariamente.

Entrego-te o coração amargurado
em pedaços desiguais de tristeza,
que se apresenta descompassado
porque navega contra a correnteza.

Ofereço minhas noites hoje vazias
e as horas dos meus dias arrastadas
e parte da minha vida sem garantias

de que conseguirei até sobreviver
alimentando lembranças flageladas
que convivem feito quinquilharias

com o que restou e não vive em luto





(*) márcia fernanda peçanha martins

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23 julho, 2011

Isto é saudade (*)



Não te sentir na sala
a cuidar meus passos,
é ficar sem norte.
Isto é saudade.
Não te ceder à mala
e ajeitar teus espaços,
é falta de sorte.
Isto é saudade.

Não ouvir a tua voz
a acalentar meu rumo,
andar sem suporte.
Isto é saudade.
Não esperar por nós
para escrever o resumo,
é não ter aporte.
Isto é saudade.

Não ter teu carinho
a sussurar sentimentos
é quase um corte.
Isto é saudade.
Não tomar um vinho
com os primeiros ventos
me deixa sem porte.
Isto é saudade.

(*) márcia fernanda peçanha martins

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Há um outono em mim (*)

Há um outono na minha janela
que me intimida e me entristece
porque enjaula na mesma cela
meu risco, a loucura e o alicerce

E desatino sem cor na aquarela
onde o pincel desenha uma prece
pedindo que na minha passarela
não mais seja aplaudido o estresse

Reúno as folhas caídas do outono
com isso adubo o meu desinteresse
e cresce a minha dor na novela

Continuo sem patrono e sem dono,
um brinde esquecido na quermesse:
um coração em franco abandono


(*) márcia fernanda peçanha martins

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Amor multiplicado (*)

Tropeço nos restos espalhados
que entulham os cantos da casa
e refletem sinais desen
contrados
do fim do amor ainda em brasa

Porque apenas um dos namorados
mantinha acesa a chama da paixão,
e tinha que amar de todos os lados
para animar o quase morto coração.

O outro desprezava as evidências
de que para tudo já existe atualmente
fórmulas e soluções nas ciências

mas que não há nenhuma experiência
capaz de comprovar a eficiência
de multiplicar o amor eternamente


(*)márcia fernanda peçanha martins

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